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XXX A PORNOGRAFIA E O CINEMA

Os consumidores de filmes pornôs/eróticos estão mudando, já percebeu isso?

por Carolina Serra

Bom, se você chegou até aqui (e não segue o blog…) é por que andou procurando o famoso “TRIPLE X”, as sacanagenzinhas, surubas&afins; Afinal o Brasil é campeão em acessos a sites que “afloram a libido”. 
Cerca 55% dos internautas brasileiros acessam sites pornográficos; 51% dos Chineses e 35% dos Britânicos.
Sem contar que com a popularização das câmeras em dispositivos móveis – e óbvio a proliferação do “material” pela web -, qualquer um vira astro da noite para o dia de um pornozinho-gostoso-caseiro.
A partir daí podemos pontuar uma das várias mudanças: sai o padrão gostosa-mor, e entra a mulher normal (ou seria: real?).
Caras e bocas e mulheres siliconadas, dão espaço a mulheres não menos gostosas, porém mais reais.
Não vou aqui abrir para as questões psicológicas e socioculturais, mas fica evidente que o entretenimento adulto evoluiu de acordo com os “novos padrões”.
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Você sabe a diferença entre pornográfico e erótico?
Bom, segundo Paulo Rafael, artista plástico e mestre em comunicação pela UFPE a diferença depende do observador ou do contexto cultural e não das características intrínsecas do objeto (erótico ou pornográfico).
“Afinal, já foi dito que a pornografia é o erotismo dos outros. Erótico e pornográfico não podem ser diferenciados apenas com base em conceitos de explícito e implícito. Assim, em geral procuro evitar o termo erotismo, utilizando apenas o termo pornografia, ampliando seu significado. Pornografia como representação do desejo sexual, uma sexo-grafia ou uma desejo-grafia, na mesma linha de pensamento que conduz a palavras como geografia, litografia e xilografia”.

O explícito no cinema sempre teve espaço. Se engana quem pensa que os anos 70-80 foram o início de “uma era pornô”.
Há relatos de filmes mais ‘saidinhos’ lá pelos meados de 1904, aqui, na nossa querida argentina!
Não há registros de qual o primeiro filme pornô, mas há quem diga que os possíveis nomes para figurar entre os primeiros sejam:
Free Ride (1915) É sobre um sujeito que dá carona em seu calhambeque a duas mocinhas – com quem transaria depois, sob uma árvore.
On The beach (1916) Chamadas de stags films (“filmes para rapazes”), as fitas tinham de 7 a 15 minutos e eram filmadas na França, Estados Unidos e Argentina.

Se a arte imita a vida…nos anos 60 com a revolução comportamental:nova visão sobre a sexualidade – liberdade sexual – e independência feminina (invenção da pílula), o sexo passou a transitar com mais “liberdade” por entre as artes.
Vale ressaltar aquela frase utópica: “faça amor, não faça guerra”

Tinto Brass e Paolo Pasolini são cineastas que se destacaram na época.

Tinto Brass é um diretor italiano, conhecido pelos filmes de conteúdo eróticos que realizou.
Após se formar em Direito, foi para Paris onde trabalhou como arquivista na Cinemateca Francesa, uma das mais prestigiosas e mais ricas coleções do mundo. Ao retornar a Itália, tornou-se assistente de direção de diretores como Joris Ivens, Alberto cavalcanti e Roberto Rosselini. Ele estreou na direção em 1963 com o filme ?Chi lavora e perduto?
No final dos anos sessenta passa a se dedicar ao erotismo, culminando em 1976 com a realização de ‘Salon Kitty‘, um de seus filmes mais famosos. Graças a essa obra, Tinto foi escolhido pelo escritor e roteirista Gore Vidal e por Bob Guccioni, dono da revista erótica ‘Penthouse‘, para dirigir o clássico ‘Calígula‘, na segunda metade de 1976.
Nos anos 80, ele continuou dedicando-se ao erotismo e realizou clássicos como ‘Action‘ (1980), ‘A Chave‘ (1983), ‘Miranda‘ (1985), entre outros. Nos anos 90, alguns de seus melhores filmes foram ‘Paprika‘ (1991) e ‘Monella‘ (1998), no qual revelou ao mundo a beleza e o talento da maravilhosa Anna Ammirati.

[DOWNLOAD DOS PRINCIPAIS FILMES DE TINTO BRASS] 

Paolo Pasolini esbanjava cinismo e sarcasmo e adorava chocar, abusando da sexualidade e da escatologia que revirou estômagos de muitas gerações de cinéfilos. Em TEOREMA (1968), faz um anjo seduzir toda uma família de burgueses decadentes. Em POCILGA (1969) criou um personagem que só consegue se relacionar com porcos.
Influenciou e foi influenciado por muitos gênios do cinema, tais como Fellini, Jodorowsky e Glauber Rocha, mas também colecionou antipatias oficiais. Era militante gay numa época em que a grande maioria considerava isso um crime e nunca perdia a chance de atacar ferozmente a igreja, a política e o moralismo nos seus filmes.
Acabou sendo assassinado por um suposto “amante” que mais tarde alegou que o crime fora cometido por questões políticas.

Aqui no Brasil, o gênero Pornochanchada ficou conhecido na década de 70. Chanchada, por que trazia elementos das comédias italianas. E porno, por que…tinha uma pitadinha de cenas provocantes, ainda que assim não houvessem cenas de sexo explícito.

Alguns cartazes no mínimo engraçados:
 

Vale lembrar que com a popularização do gênero pela industria cinematográfica, os cineastas tiveram de dar novos ares ás produções: roteiro, desenvolvimento (ainda que mínimo) dos personagens, e as famosas cenas de “cumshots” (cenas de ejaculação), bukkake…agora fazem parte do universo dos filmes XXX.

Um dos primeiros clássicos do gênero foi Deep Throat, a Garganta Profunda.
[DOWNLOAD DO DOCUMENTÁRIO DO FILME]

Produzido por menos de US$ 25 mil, o filme se tornou o mais lucrativo de todos os tempos na época, arrecadando mais de 600 milhões de dólares.
A história é bastante louca, uma mulher insatisfeita com sua vida sexual, decide procurar um terapeuta, e descobre que seu clitóris fica na garganta…bom, já inanimaram, não? Rolou até um remake do filme em 2005.
Mas o filme mostra também traços da sociabilidade capitalista nos EUA: o apego fetichista à memória; sexo e consumo (…de Coca-Cola); e sexo e agressividade; enfim, símbolos típicos de uma sexualidade dessublimada, mas reprimida pelos critérios estranhados de socialização do capital.
O clássico do cinema pornô que explicita, com humor grosseiro, a aguda monotonia da vida pessoal no mundo burguês. O sexo fetichizado em alto grau, totalmente impregnado de critérios quantitativistas (só umbig cock poderia fazer Linda gozar…), expõe uma via de escape para o prosaísmo do mundo burguês.
No hall dos grandes filmes pornôs, podemos ainda destacar EmmanuelleLe ore nude e Joshikosei; Respectivamente EUA, Itália e Japão.

VHS – E o Cinema Pornô
“Com a chegada do vídeo, o pornô passou a ser produzido em larga escala, como uma linha de montagem. E isso marcou uma transformação significativa do produto”, diz Nuno César Abreu, autor do livro “O Olhar Pornô”.
Afinal, é mais vantajoso você assistir a um vídeo em casa, do que correr pras salas chechelentas de cinema, não é mesmo?
Com isso, o aumento de produções do gênero triplicou, hoje estima-se que o mercado de DVDs, e canais de TV a cabo pornô movimente, anualmente, cerca de 14 bilhões de dólares no mundo; O que equivalente às vendas anuais de armamentos dos Estados Unidos.
E nesse mercado, o que vale são as inovações…
A linguagem estética apresentada nos vídeos voltados especialmente para mulheres (com a sueca Erika Lust), os chickporn, trazem ás mulheres (que gostam sim de pornô!), uma visão mais “realista e prazerosa”. Desvinculando assim, do cinema “sexo-pago”.

Você conhece essa simpática mocinha da foto?Não? …
Eu vos apresento então Erika Lust.
Ela é formada em ciências políticas, é co-fundadora da LUSTfilms, que é uma produtora de filmes pornôs.
Se você é conhecedor(a) da área, sabe que ela dirigiu um dos filmes pornôs mais premiados do gênero: 5 HISTÓRIAS PARA ELAS.

[TORRENT DO FILME]

Além de belíssimas histórias minimalistas, seus filmes tem ótima produção, fotografia…
No site da produtora tem alguns filmes experimentais, trailers disponíveis, downloads e informações sobre os longas; vale a pena dar uma conferida: http://www.lustfilms.com/

As atrizes como Sasha Grey e Stoya se destacam no mundo do entretenimento adulto.
Stoya faz parte da pornografia alternativa, ou indie porn, como queira…

A queridinha aí do lado, toda borrada já trabalhou com Soderbergh no longa The Girlfriend Experience.
Ps: Prá quem não sabe, Soderbergh já concorreu ao oscar e levou a palma de ouro por Sexo, Mentiras e Videotape.

Segundo Suzy Capó (produtora do PopPorn festival) o pornô alternativo é…

“Uma realização que ganha um tratamento estético diferenciado do cinema de sexo comercial.
Pode ter uma linguagem diferenciada, tratar de assuntos como o papel da mulher no filme de sexo.
Uma produção deste gênero é a coletânea de filmes de arte pornográficos “Destricted”; Que reune sete realizadores e artistas plásticos para uma abordagem ao sexo e à pornografia desenvolvida num conjunto de curtas-metragens.
A versão brasileira para o projeto,  “Destricted.br”, conta com a participação de: Adriana Varejão, Dora Longo Bahia, Karim Ainouz, Janaina Tschäpe, Julião Sarmento, Lula Buarque de Holanda, Marcos Chaves, Miguel Rio Branco e Tunga.

“A pornografia é parte integrante da história da humanidade e da história da arte, onde pintura, escultura e literatura fizeram interessantes tratados artísticos tendo a pornografia como base. Esta história é praticamente impossível de rastrear com precisão. De ruínas em Pompéia às artes do paleolítico, passando pelos textos de Marquês de Sade, existem registros pornográficos em tudo o que for possível imaginar. E no cinema, o que podemos dizer como pornográfico, na acepção de Paulo Rafael, acontece desde sua invenção…”

(@obvious)

Aproveitando o combo, deixo pra vocês a curiosidade de baixarem quadrinhos eróticos de Manara, Serpiere e…Crepax! É só clicar na imagem!!

“[…]Mas quem é que vai acreditar que um cara morreu de rir só com a ameaça de lhe lamberem o botão? A turma do pólo está estudando um plano, alguma nefanda crueldade para Amanda. Dizem que vão lhe enfiar algumas bolas de pólo polpas e pombinha adentro. Se assim for resolvido manda-me os tocos dos tais ficheiros. Haja bola! Tom foi medicado na hora do enterro de Kraus porque não suportou ver o amigo morto e ainda sorrindo. Estou doente por tudo isso e porque não posso pensar na morte, nem na minha nem na do Kraus nem da barata, tenho medo da pestilenta senhora e imagino-me puxando-lhe o grelo, esticando-lhe os pentelhos até ouvir sons tensos arrepiantes. Hoje gritei demente: vem, Madama, vem, e irado, numa arrancada, soltei da pestilenta grelo e pentelhos e eles esbateram-se frenéticos nos seus baixos meios. Se pudesse seduzir a morte, lamber-lhe as axilas, os pêlos pretos, babar no seu umbigo, enturpir-lhe as narinas de hálitos melosos, e dizer-lhe: sou eu, gança, sou eu, mariposa, sou Karl, esse que há de te chupar eternamente a borboleta se tu lhe permitires longa vida na olorosa quirica do planeta.”

Cartas de um sedutor – Hilda Hilst

Não se animou?

Não tem problema, tem listinha dos filmes lights pra você entrar no clima!

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